"A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples" (Sl 119.130)

10 coisas que você deve saber sobre o seu celular

1. Seu celular não é de todo mau

Meu celular é o meu incansável assistente pessoal, meu companheiro de viagem insubstituível e minha forma de conexão ultrarrápida com meus amigos e familiares. Tela de realidade virtual. Dispositivo de jogos. Lastro para a vida diária. É meu amigo inteligente, meu braço direito sempre alerta e meu colaborador fiel. 

2. Seu celular não é de todo bom

Estudo após estudo tem mostrado que muito tempo em nossos telefones tem efeitos profundos sobre a nossa saúde física, incluindo (mas não limitado a) sedentarismo e obesidade, estresse e ansiedade, insônia e agitação, má postura e pescoços doloridos, vista cansada e dores de cabeça, e hipertensão e padrões de respiração pouco profunda induzidos pelo estresse. 

As consequências físicas dos nossos hábitos imprudentes no smartphone muitas vezes passam despercebidas, porque na matriz do mundo digital, simplesmente perdemos a noção do nosso corpo, da nossa postura, da nossa respiração e dos nossos batimentos cardíacos.

3. Seu celular amplia o seu vício em distrações

Verificamos nossos celulares cerca de 81.500 vezes por ano, ou uma vez a cada 4,3 minutos enquanto estamos acordados. Ainda que nossas relações com nossos telefones não sejam uma aliança para toda a vida (embora os contratos com nossas operadoras façam parecer que sim), eu não seria o primeiro a sugerir que ter um celular é similar a ter um namorado que exige muito e é faminto por atenção.1

4. Seu celular o pressiona a fugir dos limites da encarnação

Tentamos romper as fronteiras do tempo e do espaço, e acabamos ignorando a carne e o sangue à nossa volta. E na realidade, somos finitos. Nós assumimos que podemos dirigir carros e ler e escrever no celular, tudo ao mesmo tempo, mas somos mais fracos do que nossas próprias suposições.

Existir é estar murado por limitações físicas — limites e limiares que delimitam o que conseguimos perceber e realizar. Quando sempre olhamos nossas vidas através do vidro, esquecemos que somos feitos de carne e osso.

5. Seu celular alimenta o seu desejo de aprovação imediata

Os celulares aguçam o impulso humano mais primitivo de apreciação — autorreplicação com a finalidade de ser visto, conhecido e amado — através de contato constante com outros carentes por afirmação. Esta é uma das razões de acharmos tão difícil pôr nossos telefones de lado. Temos medo uns dos outros e queremos admiração uns dos outros, por isso cultivamos um desejo desordenado de aprovação humana através de nossas plataformas de mídia social.

6. Seu celular prejudica valiosas habilidades literárias

Toda a nossa fé é construída sobre um livro, e dentro dele há sessenta e seis livros menores. Nossa vida espiritual é alimentada por livros dentro de livros, como as rodas dentro de outras rodas de Ezequiel. E novos livros cristãos são lançados diariamente ao redor do mundo. Livros são de extrema importância para os cristãos. Nós valorizamos a imprensa. Publicação é parte da missão do evangelho. Por onde quer que o evangelho tenha se espalhado, também o letramento se espalhou.

No entanto, na era digital, os livros tornaram-se mais vulneráveis ao rótulo de chatos. Quando comparados aos jogos mais recentes ou séries transmitidas na TV, encarar formas em preto e branco por várias horas parece ser um investimento tolo. Fomos apresentados a um tipo de entretenimento de conveniência que faz com que os livros pareçam absolutamente antiquados, inconvenientes e por demais exigentes.

7. Seu celular oferece um buffet de mídia produzida 

Nossos celulares não só possuem câmeras nítidas que capturam imagens e vídeos de qualidade, mas elas também estão sempre conosco, e desenvolvemos dedos inquietos que sempre estão prontos a disparar o obturador para capturar qualquer coisa no momento. Juntos, passamos a não somente consumir a cultura de celebridades, como também a alimentá-la.

8. Seu celular ultrapassa e distorce sua identidade 

Nós nos inclinamos sobre nossos telefones — e o que capta mais rapidamente a nossa atenção é o nosso próprio reflexo: nossas imagens replicadas, nossos números de aprovação e a quantidade acumulada de “curtidas”. A mídia social tornou-se a nova empresa de relações públicas da marca “Eu Mesmo”. Assim, olhamos nossos feeds compulsivamente e consideramos praticamente impossível deixar de olhar — e amar — nosso “outro eu”.2

Quando falamos de “vício em celular”, muitas vezes estamos nos referindo ao vício de olhar para nós mesmos.

9. Seu celular não precisa ter esses efeitos negativos sobre você

Há algumas disciplinas de vida que são vitais e que precisamos implementar para preservar a nossa saúde espiritual na era dos smartphones.

Minimizamos as distrações desnecessárias na vida para ouvir a Deus e para encontrar o nosso lugar na história revelada de Deus. Nós abraçamos a nossa natureza encarnada e lidamos uns com os outros com graça e gentileza. Temos como objetivo a aprovação final de Deus e descobrimos que, em Cristo, não temos arrependimentos finais a temer. Valorizamos o dom do letramento e priorizamos a Palavra de Deus. Ouvimos a voz de Deus na criação e encontramos uma fonte de prazer no Cristo invisível. Exaltamos a Cristo para sermos moldados à sua imagem e procuramos atender às necessidades legítimas de nossos próximos.

10. Seu celular pode ser uma ferramenta para conhecer e desfrutar de Deus

A Escritura torna o foco na vida algo possível na era digital, e faz isso quando Jesus resume o propósito e a finalidade de nossas vidas em duas metas: entesourar Deus com todo seu ser e, em seguida, despejar essa alegria centrada em Deus na forma de amor pelos outros. Nesses dois mandamentos é que todas as outras leis relativas ao celular se respaldam.

Quando usamos nossos celulares da maneira correta, suas telas brilhantes irradiam o tesouro da glória de Deus em Cristo e, nesse brilho glorioso, temos uma amostra da era maior por vir.

Notas:
1. Jacob Weisberg, “We Are Hopelessly Hooked”, The New York Review of Books (25 de fevereiro de 2016).
2. Sherry Turkle, The Second Self: Computers and the Human Spirit (Cambridge, MA: MIT Press, 2005).


Artigo original: https://www.crossway.org/articles/10-things-you-should-know-about-your-smartphone/
Tradução: Maryssa Caetano Pereira
Uma visão aprofundada do tema pode ser encontrada na obra do autor, 12 maneiras como seu celular está transformando você.

Tony Reinke é jornalista e atua como escritor sênior no Desiring God (desiringGod.org). É o apresentador do podcast Ask Pastor John, programa com o teólogo John Piper, e autor de diversos livros. Também escreve no blog tonyreinke.com

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